Antes de ontem foi o dia do “Pesce d’Aprile“, o April Fool’s Day à italiana, dia que as pessoas aproveitam para fazer brincadeiras várias com o próximo, entre as quais se destaca a de colar peixes de papel nas costas das pessoas, sem que percebam. O que seria o nosso dia da mentira, mas em vez de 1º de abril, é o primeiro dia de abril. Eu queria preparar algum tipo de doce que tivesse relação com o “Pesce d’Aprile”, mas além de biscoitos em forma de peixe, não parece que existam grandes especialidades culinárias para este dia, ou pelo menos em Roma. Então, finalmente decidi adoçar o último dia das mini-férias de páscoa com uma torta della Nonna, que gosto muito mais do que qualquer biscoito e já fazia dias que queria colocar no blog. A receita eu vi aqui. É talvez o site de receitas mais famoso da Itália. Em geral, explicam-se muito bem, mas na minha opinião têm dois pequenos problemas. 1. – Tentando aproveitar a mesma explicação de alguma massa, creme, etc., para diferentes receitas que as contêm, acabam se confundindo um pouco. 2.- Às vezes seguem um procedimento no vídeo e, na receita escrita abaixo, outro. Se você está acostumado a cozinhar, nenhum problema, você encontra a maneira de se esclarecer, quase sem perceber essas pequenas imprecisões, mas se não for o caso, provocam momentos de confusão. De qualquer maneira, se vocês sabem italiano, eu a recomendo, porque quanto ao resto, está tudo muito bem pensado.
A versão mais famosa sobre a origem deste bolo diz que foi inventado por um cozinheiro chamado Guido Samorini, em seu restaurante em Florença, cansado de ouvir clientes que pediam que ele introduzisse alguma sobremesa nova no cardápio. Embora eu tenha lido também que há quem diga que se trata de um bolo nascido na região da Emília-Romanha e quem assegure que, na verdade, é tradicional da Ligúria. A mim, lembra muito o bolo basco. Especialmente a versão que eu preparei, substituindo os pinhões da receita original da torta della Nonna por amêndoas, que gosto mais e são muito mais baratas.
Aliás, não sei se vocês sabem que Nonna significa avó em italiano. Pessoalmente, quando ouço a palavra “Nonna”, a primeira imagem que me vem à cabeça é a Sora Lella fazendo de avó nos filmes que ela fez com Carlo Verdone. Embora não sejam, digamos, obras-primas do cinema, nem de longe, vale a pena vê-los, ainda que só pelos momentos em que aparece a Sora Lella, com sua graça e seu falar romanesco. Eles te obrigam a se tornar um fã incondicional e a lamentar não ter podido conhecê-la pessoalmente, nem que fosse para que ela te dasse uma bronca sem piedade. Um pouco como o que acontecia com a nossa Rafaela Aparicio. A Sora Lella se chamava Elena Fabrizi e era irmã do mega-hiper-genial Aldo Fabrizi. Além da nonna romana mais mítica do cinema italiano dos anos 80, ela era também uma conhecidíssima cozinheira e personagem queridíssima em Roma. Um dos restaurantes mais famosos da cidade é precisamente o Sora Lella, na Ilha Tiberina, que ela mesma geria e agora sua família administra. Eu nunca fui e não sei se quero ir porque, embora seja muito bom, parece-me que eu me decepcionaria, tal como costuma acontecer com as grandíssimas expectativas em torno de algo idealizado até extremos exagerados. Não sei se a Sora Lella fez alguma vez uma torta della Nonna, mas seria autêntico ver a nonna mais vivaz da Itália levando uma torta della nonna à mesa dizendo: “Questa torta con le mandorle è la morte sua!”
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The card
- Para a massa:
- 400 g de farinha de trigo
- 150 g de açúcar de confeiteiro
- 1 saquinho de baunilha (0,5 g)
- 1 pitada de sal
- 4 gemas de ovo
- 200 g de manteiga
- Para o creme:
- 1 l de leite
- 1 fava de baunilha
- 8 gemas de ovo
- 80 g de farinha
- 250 g de açúcar
- As raspas de meio limão
- Preparação do creme:
- Coloque para aquecer 750 ml de leite com a fava de baunilha, à qual previamente se deve fazer um corte longitudinal, de cima a baixo.
- Desligue o fogo quando o leite estiver prestes a começar a ferver e deixe esfriar.
- Bata as gemas de ovo com o açúcar e as raspas de meio limão, até formarem um creme claro e espumoso.
- Quando estiverem bem ligados, adicione aos poucos a farinha peneirada, sem parar de mexer. Adicione o leite que não tínhamos fervido, sem parar de mexer.
- Retire a fava de baunilha do leite e adicione a mistura de ovo.
- Aqueça o creme em fogo muito baixo, mexendo constantemente com uma colher de pau, para que não se formem grumos, até que esteja bem espesso.
- Deixe esfriar em um recipiente plano na geladeira, recoberto totalmente com filme plástico, para que não se forme uma crosta.
- Preparação da massa:
- Amasse a farinha, a manteiga cortada em pedacinhos (recém-saída da geladeira) e uma pitada de sal, até obter uma massa de consistência arenosa. (Se puderem fazer com um processador de alimentos ou um triturador, melhor)
- Coloque a massa sobre a bancada e faça um buraco no meio, dentro do qual adicione os ovos, a baunilha e o açúcar, e amasse rapidamente até que fique compacta.
- Forme uma bola com a massa, envolva-a com filme plástico e deixe-a pelo menos uma hora na geladeira.
- Retire a massa da geladeira, tire-a do plástico e divida-a da seguinte maneira: Dois terços da massa para a base do bolo; um terço para a tampa do bolo.
- Coloque o forno para aquecer a 180 graus.
- Abra a massa para a base com o rolo.
- Unte a forma com manteiga e farinha. Coloque dentro a massa, cortando o que sobra da forma, e faça alguns furos na superfície com a ponta de um garfo.
- Recheie o bolo com o creme.
- Abra a massa para a tampa com o rolo.
- Coloque-a sobre o creme e distribua também pela superfície alguns furos, feitos com a ponta de um garfo.
- Una o contorno da base com o da tampa, pressionando ao redor da borda da torta com o garfo.
- Distribua as amêndoas laminadas por cima da torta.
- Asse por 45 minutos.
- Polvilhe com açúcar de confeiteiro, quando já estiver esfriado.
- Deixe pelo menos 30 minutos na geladeira antes de servir.

